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Expomos de seguida excertos de um caso clínico de um adolescente que demonstra o procedimento de avaliação inicial, delineamento de objectivos e conclusão do processo psicoterapêutico. O caso clínico é real tendo, obviamente, sido salvaguardados todos os dados pessoais do paciente e da sua família.

No Espaço da Psicologia não nos limitamos a escutá-lo activamente, atingimos os seus objectivos não por si mas consigo, a seu lado, para que possa continuar a delinear novas metas e cruzá-las por si mesmo.

S√ļmula da apresenta√ß√£o do paciente

- Nome: D.
- Idade: 13 anos
- Género: Masculino
- Profiss√£o: Estudante

Quem referenciou e contexto de início do acompanhamento psicológico

O médico de família do D. pediu uma avaliação psicológica ao Laboratório de Psicologia Universidade de Lisboa. Posteriormente, e por sugestão presente nesse relatório de avaliação psicológica, encaminhou o D. para acompanhamento psicológico.

Motivo do pedido

O pedido manifesto da m√£e do D. refere-se a dificuldades de manuten√ß√£o de aten√ß√£o e hiperactividade que prejudicam o seu desempenho escolar. O D. teve avalia√ß√£o negativa (nota 2) no primeiro per√≠odo do presente ano lectivo nas disciplinas de Portugu√™s, Hist√≥ria, Estudo acompanhado e √Ārea projecto. Sendo o D. uma crian√ßa simp√°tica e sem problemas de comportamento agressivo, a sua m√£e refere que tais negativas se devem a uma falta de capacidade de focaliza√ß√£o de aten√ß√£o.

Com o desenrolar das consultas, existe um pedido latente que se refere a problemas da m√£e do D., especificamente a sua grande ansiedade. Frequentemente durante as consultas, a Sra. J. afasta-se da problem√°tica do D. e centra-se na sua, referindo como sofreu no passado (depress√£o e ataques de p√Ęnico) e como ainda est√° dependente de medicamentos para evitar reca√≠das.

Diagnóstico inicial

Défice de atenção e falta de motivação académica que conduzem a fracos resultados escolares.

Plano de intervenção (tendo em consideração a anamnese e provas aplicadas)

  • Dar apoio ao D. no plano afectivo e compreensivo, de forma a fomentar um sentimento de securiza√ß√£o que permita aumentar os seus n√≠veis de motiva√ß√£o acad√©mica.
  • Cria√ß√£o de um padr√£o de relacionamento familiar mais positivo e que forne√ßa mais suporte ao D. no n√≠vel emocional.

Objectivos terapêuticos

  • Melhorar o desempenho acad√©mico.
  • Desenvolver a sua capacidade de manuten√ß√£o da aten√ß√£o.
  • Melhorar a din√Ęmica familiar, criando um padr√£o relacional positivo.

Balan√ßo do processo terap√™utico e conclus√Ķes

Após dez meses concluiu-se a intervenção terapêutica tendo sido atingidos todos os objectivos terapêuticos:

  • Melhorar o desempenho acad√©mico.
  • Desenvolver a sua capacidade de manuten√ß√£o da aten√ß√£o.
  • Melhorar a din√Ęmica familiar, criando um padr√£o relacional positivo que sustente o desempenho acad√©mico do D. e lhe proporcione receber afecto.

O D., em todo o seu percurso acad√©mico, nunca tinha tido positiva a todas as disciplinas. O pedido manifesto consistia, exactamente, no fraco rendimento escolar do D.. Por√©m, com o passar das consultas, percebeu-se que esta situa√ß√£o possu√≠a apenas um car√°cter sintomatol√≥gico. O fraco investimento escolar do D., e consequentes maus resultados, derivavam da inflexibilidade dos pais que regiam a sua rela√ß√£o com o D. de uma forma excessivamente autorit√°ria que colmatava em v√°rias puni√ß√Ķes/castigos pelas m√°s notas. Os pais tinham esta postura por acreditarem ser a que mais ajudava o D. a evoluir. Por√©m, esta atitude era um atentado √† autonomia do D.. N√£o lhe era conferido direito de decis√£o em rela√ß√£o a horas de estudo e local de estudo, o que tinha um efeito contr√°rio ao pretendido.

N√£o obstante, os pais do D. mostraram-se muito compreensivos em rela√ß√£o √† situa√ß√£o e quando adoptaram uma postura na qual as decis√Ķes eram tomadas num plano de colabora√ß√£o com o D. em detrimento de um plano unilateral/autorit√°rio, o investimento acad√©mico deste melhorou de forma marcante.

Posteriormente, trabalhou-se no sentido de transferir o papel de suporte exercido nas consultas de psicologia para os pais do D..

Quando se criaram condi√ß√Ķes relacionais positivas, marcadas pelo apoio incondicional ao inv√©s de um controle excessivo, o D. demonstrou ser um adolescente respons√°vel, cumpridor, com sucesso escolar (sem nenhuma disciplina negativa) e mais feliz. Como o insucesso escolar constitu√≠a um sintoma negativo de um padr√£o relacional familiar pouco saud√°vel, o sucesso escolar constitui, agora, um sintoma positivo do padr√£o relacional saud√°vel que se conseguiu atingir.

Foi, exactamente, a modifica√ß√£o da atitude dos pais do D. para com ele e o seu enraizamento, o ponto que constituiu o cerne do trabalho terap√™utico do D.. S√≥ desta forma existir√° uma const√Ęncia temporal dos bons resultados escolares do D. e, mais importante, de um contexto promotor de desenvolvimento. Uma parte determinante deste trabalho consistiu na promo√ß√£o da manifesta√ß√£o de afectos para com o D. e do favorecimento da identifica√ß√£o com a figura paterna, que se foi tornando cada vez mais presente para o D..

Concluindo, perante um contexto promotor de autonomia e rico em afectos que o suporte emocionalmente, o D. melhorou de forma radical o seu investimento académico, obtendo sucesso escolar.

D. é contactado anualmente pelo Espaço da Psicologia (acompanhamento pós intervenção terapêutica) e mantém um rendimento escolar acima da média há mais de dois anos.

 


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